terça-feira, 10 de novembro de 2009

14º Encontro do Gestar em Capitão/ RS Formadora: Giovane

14º Encontro: Variantes lingüísticas: dialetos e registros

Ocorreu no dia 29 de outubro de 2009, nas dependências da Câmara Municipal de vereadores de Capitão, no horário das 13 horas às 17 horas, o 14º Encontro do Gestar II, contando com a presença de todas as professoras cursistas, assim como da coordenadora Alessandra Ames.
Inicialmente apresentei uma mensagem em slides “Ser jovem”, para recepcionar as professoras, a qual trazia presente alguns valores e atividades das quais realizávamos e ainda consideramos importante preservá-los, ou até mesmo resgatá-los, ao passo que muitos dos adolescentes e jovens de hoje não dão a devida importância. Nesse sentido, a mensagem veio ao encontro do tema tratado neste dia, uma vez que há a variante lingüística que diz respeito à faixa etária.
Antes de continuarmos com esse tema, concluímos a proposta do encontro anterior em relação ao planejamento de uma aula, levando em consideração o processo de produção textual, a partir do texto “Espírito Carnavalesco”. Segue abaixo a proposta desenvolvida para ser trabalhada com alunos da 7ª série ou 8º ano.
Considerou-se necessário fazer uma motivação para chegar ao texto, a iniciar por um levantamento de conhecimentos prévios sobre o carnaval: O que se entende por “espírito carnavalesco”. Após a conversação, realizar um trabalho referente ao verdadeiro sentido do carnaval; relacionar à cultura de um grupo social; pesquisar a origem do carnaval, cantos carnavalescos; comparar o carnaval realizado em culturas diferentes como Brasil x Alemanha e outros países, assim como o carnaval acontece nos diferentes estados brasileiros; pesquisar o trabalho que envolve a indústria carnavalesca; refletir como o carnaval, hoje, conduz a uma libertinagem, principalmente sexual; investigar como se dá a escolha dos temas dos desfiles de carnavais.
Após o trabalho de aprofundamento sobre o tema carnaval, propõe-se entregar uma parte do texto “Espírito carnavalesco” de Moacir Scliar para os alunos, conforme proposta do caderno do formador, p.37. O mesmo texto deverá ser lido pelos alunos e após, em pequenos grupos deverão continuar a história, apresentando um desfecho para o mesmo. Todos do grupo deverão dar suas contribuições, enquanto um do grupo anota os procedimentos e interferências feitas para tal produção textual e outro registra o texto em si. Na seqüência, os alunos deverão socializar os trabalhos ao grande grupo.
Para a revisão textual, os alunos trocarão os textos entre os grupos e cada grupo analisará os mesmos observando: coerência e progressão temática, informações novas em relação ao assunto, parágrafo bem estruturado, emprego adequado da pontuação, cuidado com palavras, ideias ou expressões repetitivas.
Após, o professor solicita que os alunos passem o texto a limpo e o próprio professor escolhe alguns para serem dramatizados. Como conclusão do trabalho, os textos serão expostos no mural da escola.
Depois dessa proposta, conversamos como a cultura e a língua são indissociáveis. Comentamos um pouco sobre o que diz Irandé Antunes (2009) sobre a língua, a qual se torna um grande ponto de encontro de cada um de nós, com os nossos antepassados, permanecendo viva na trajetória da nossa memória coletiva. “daí o apego que sentimos à nossa língua, ao jeito de falar de nosso grupo.” ( Irandé Antunes, 2009).
Conversamos ainda sobre o papel da escola em relação ao ensino da língua e nesse sentido trouxemos presente o que Silva apud Bagno (2002) afirma “o ensino da língua materna em todas as escolas, hoje, deve ser: tornar o aluno gradativamente, usuário competente das múltiplas variedades da língua portuguesa, conforme as suas tendências e necessidades.” Refletimos e percebemos, pois, o quanto trabalho temos no sentido de respeitar o que o aluno traz de casa e a partir daí proporcionar que ele conheça as mais diversas formas e variações da língua, fazendo-o notar que quanto mais opções o sujeito tiver de uso da língua, mais ele vai poder atuar na sociedade e se desenvolver como cidadão.
Após a retomada do conteúdo teórico, solicitei às cursistas que escutassem e acompanhassem as letras das música: Chico Mineiro, cantada por Tonico e Tinoco; Marvada pinga de Enesita Barroso, Querência Amada, cantada por Teixerinha, Asa Branca de Luís Gonzaga e samba do Ernesto, buscando identificar a temática abordada nas músicas, analisar a situação em que a língua varia em cada música e refletir sobre possíveis intenções cuja música se sucedeu, assim como as características que as músicas refletem de um grupo social.
Assim que escutamos as músicas, acompanhadas das respectivas letras, analisamos que a variação lingüística ocorre em relação ao aspecto regional, principalmente e geográfico. Cada uma delas reflete características típicas do seu grupo social, ao mesmo tempo em que se percebe uma crítica social, o que parece que existe uma defesa de pensamentos e valores da cultura de cada povo.
Dando continuidade ao trabalho, assistimos ao vídeo “Rei dos elogios de Quixeramobim”, cuja proposta nos foi passada pela professora Adelaide, na segunda etapa de formação do Gestar II em Porto Alegre. O vídeo deixa claro que mais importante que a modalidade da língua é o contexto em que ela é usada. Junto ao vídeo, solicitei que as professoras cursistas analisassem os textos propostos pelo TP1 nas unidades 1e 2, buscando verificar em situações a língua varia, tendo por base a parte teórica estudada no TP1, além disso, levei os textos “Pechada” de Luis Fernando Veríssimo e “Cada um conta o causo como qué” conto do folclore nordestino cujo autor é desconhecido.
E assim desenvolvemos mais um encontro. As cursistas disseram ter gostado muito, pois além de terem se divertido com o que foi trabalhado, mencionaram que ficou bem mais claro agora sobre o papel da escola no que tange ao ensino da língua materna em sala de aula.








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