sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

20º Encontro do Gestar - Avaliação - Capitão / RS Formadora: Giovane de Siqueira

20º Encontro – Avaliação

Ocorreu no dia 10 de dezembro de 2009, no horário entre 13 horas e 17 horas, nas dependências da Câmara de Vereadores de Capitão, o 20º Encontro do Gestar, contando com a presença das professoras cursistas, da coordenadora Alessandra Ames e do profissional que filmou as cursistas apresentando os projetos desenvolvidos durante este Programa de Formação Continuada.
Inicialmente acolhi as professoras com uma singela lembrança como encerramento dos nossos encontros presenciais, comentando que o Gestar nos proporcionou uma boa formação, resultando em mudanças na prática pedagógica, resgate à nossa autoestima profissional, crescimento enquanto grupo/ equipe de trabalho e acima de tudo, qualificação nas aulas de Português, o que proporcionou aos alunos um olhar mais animador em relação a essa disciplina.
Na sequência dos trabalhos, as professoras Elisete, Lúcia e Jani expuseram os seus projetos.
A professora Lúcia iniciou a sua apresentação do projeto desenvolvido junto aos alunos da 6ª série da Escola Estadual de Ensino Médio de Capitão. O tema do projeto envolveu a leitura e a produção textual, observando que a leitura reconstrói o próprio texto em direção ao contexto – texto como afirmava Neto (1996). Nesse sentido, a professora Lúcia procurou dar ênfase à produção textual, a partir da leitura e do trabalho com temas que envolvessem a realidade dos alunos: família, valorização da vida, meio ambiente, prevenção às drogas e sexualidade. Para trabalhar os referidos assuntos, a cursista Lúcia proporcionou aos alunos: passeio ao meio ambiente cujo local era preservado; palestra com a psicóloga e a médica do nosso município; conversa com pessoas que se preocupam e cuidam da natureza; leitura e produção de textos em diversos gêneros.
Irandé Antunes foi a autora principal cujo embasamento teórico prevaleceu no trabalho da professora Lúcia, além de outros autores.
Conforme a cursista Lúcia, os alunos participaram ativamente das atividades desenvolvidas durante o projeto, demonstrando melhoras significativas na produção textual, no comportamento em sala de aula, uma vez que essa turma era bastante agitada, e o que chamou mais atenção da professora foi o fato de os alunos tomarem atitudes de cuidado para a questão da limpeza do ambiente escolar, principalmente em relação ao destino adequado do lixo. Para a professora, esse resultado se deu a partir da visita e a conversa tida com um senhor apaixonado pela natureza, que com as próprias mãos e trabalho transformou uma pequena área de terra, agora de sua propriedade, em uma verdadeira área verde com os mais diversos tipos de plantas, incluindo flores e árvores frutíferas. “É um verdadeiro paraíso”. Comentou a professora. Para a turma, esta foi uma experiência maravilhosa, conforme mencionado pela cursista Lúcia.
Após, a professora Elisete deu continuidade aos trabalhos, expondo o seu projeto desenvolvido com os alunos da 8ª série A da Escola Municipal de Ensino Fundamental Construindo o Saber, sob o tema “Escrevendo com coesão e coerência”.
Ela tomou como base teórica os autores: Ingedore G. Villaça Koch; Marcuschi; Beaugrande & Dresler, dentre outros.
Para iniciar o trabalho, a professora Elisete e algumas de suas alunas da 8ª série A nos presentearam com um belo teatro cuja temática envolveu a produção textual, a coerência e a coesão. Neste teatro, demonstrou-se o propósito do projeto, assim como os resultados obtidos por meio dele.
A professora desenvolveu várias atividades junto aos alunos o que resultou em bons trabalhos, inclusive dramatizações que foram demonstradas a outras turmas. Dentre elas destacou-se a que os alunos tiveram que preparar uma propaganda para vender alguns produtos vistos como inúteis, tais como: uma dentadura usada; uma cueca furada; entre outros. Outra tarefa foi a apresentação de um livro literário lido por cada aluno, mas de modo que o aluno se pusesse no lugar de um personagem para contar a história, de forma dramatizada.
A professora Elisete proporcionou várias atividades e produções textuais através das quais os alunos trabalharam a questão da coerência e o emprego dos mecanismos de coesão.
Conforme a cursista Elisete, seus alunos também se empenharam intensamente nos trabalhos propostos por ela, com dedicação, capricho e ânimo.
Como última apresentação, a professora Jani fez a explanação do seu projeto. Ela trabalhou com os alunos da 6ª série B, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Construindo Saber. Seu projeto se deu com base na temática referente à produção textual em diversos gêneros como uma atividade sociointerativa.
O tema surgiu tendo em vista a dificuldade de os alunos escreverem um texto com informações precisas, convincentes, claras e coerentes.
A professora proporcionou então várias atividades com o propósito de atender aos seus objetivos, tais como: organização de histórias em quadrinhos a fim de trabalhar a sequência de ideias, produção de falas nas histórias cujas partes ou quadrinhos haviam sido omitidos, buscando trabalhar, além da sequência, a coerência de ideias; produção de um final para as histórias não conclusas; debate sobre o tema “Ser criança e ser adolescente”, possibilitando aos alunos a busca de argumentos para a defesa das ideias em revistas; internet; produção coletiva de texto; entrevista e produção de texto em duplas a partir da entrevista; palestra com a nutricionista sobre alimentação saudável e produção individual de relatório com base nas orientações dadas pela professora e informações obtidas da palestra; produção de anúncios; confecção de cartazes com informações sintetizadas a partir de leituras realizadas.
Segundo a professora Jani, os alunos demonstraram um progresso significativo em relação às produções textuais. A turma toda que sempre tivera um andar e um rendimento escolar mais lento, passou a se empenhar, a se dedicar mais e a progredir não só em Português como também nas outras matérias. Os demais professores da turma perceberam e mencionaram o progresso desses estudantes, e isso trouxe muita alegria para todos da escola - professores e os próprios alunos da 6ª B.

E assim concluíram-se os trabalhos do Gestar II de Língua Portuguesa, conforme descrito no cronograma dos encontros presenciais e conforme as orientações dadas a partir do Guia Geral.
Todas as professoras cursistas se sentiram satisfeitas com o projeto desenvolvido junto aos alunos e concordaram que é com esforço, estudo, e trabalho em equipe que realmente possa haver mudança na educação e para que a grande mudança ocorra é preciso que o Gestar se estenda, o quanto antes, a todas as disciplinas porque só assim todos, na escola, saberão trabalhar sob uma outra perspectiva, do mesmo modo em que trabalharam - e continuarão trabalhando - os professores de Português e Matemática.
Combinamos que, embora tenham terminado os encontros presenciais do Gestar, nosso grupo continuará em sintonia, discutindo, partilhando e pensando junto sobre as aulas e o ensino da Língua Portuguesa na escola.
Para finalizar, desejamos um Feliz Natal e um Ótimo 2010 a todos os educadores e àqueles que passarem por este Blog!

sábado, 12 de dezembro de 2009

19º Encontro do Gestar em Capitão /RS Formadora: Giovane de Siqueira

19º Encontro do Gestar
Avaliação

Ocorreu no dia 3 de dezembro de 2009, no horário compreendido entre 13 horas e 17 horas, nas dependências da Câmara de Vereadores de Capitão, o 19º Encontro do Gestar, tendo como assunto a apresentação dos projetos desenvolvidos pelas professoras cursistas durante o Gestar. Estiveram presentes as professoras cursistas, a coordenadora Alessandra Ames, assim como o profissional que filmou a apresentação dos projetos.
Inicialmente apresentei a mensagem: ”Todo o conhecimento começa num sonho. O conhecimento nada mais é que a aventura pelo mar desconhecido, em busca da terra sonhada. Mas sonhar é coisa que não se ensina. Brota das profundezas da terra. Como mestre só posso então lhe dizer uma coisa: Conte-me seus sonhos para que sonhemos juntos.” (Rubem Alves).
Diante da mensagem, comentei que nós tínhamos e temos muitos sonhos em relação ao nosso trabalho, principalmente o de tornar nossas aulas agradáveis para os alunos e para nós mesmas, e, durante este ano, pudemos, de fato, perceber que muito desse sonho se concretizou, prova disso, estão aqui os trabalhos desenvolvidos durante o projeto junto aos alunos.
Conforme já tínhamos combinado, a professora Elisângela iniciou a apresentação do projeto. Ela desenvolveu o projeto na turma da 6ª série A da Escola Municipal de Ensino Fundamental Construindo o Saber, no período compreendido entre o início de agosto e final de novembro deste ano. O tema envolveu a coerência e coesão na produção textual, levando em consideração a compreensão leitora. A Perspectiva teórica na qual a professora se embasou foi a interacionista, tendo como autores referentes Ingedore G. Vllaça Koch, Halliday & Hasan Marcuschi, dentre outros que seguem esta linha teórica.
De acordo com a professora, o trabalho se desenvolveu sob este tema tendo em vista a dificuldade que os alunos apresentavam em desenvolver textos coerentes, bem como em usar mecanismos de coesão adequados para a ligação das ideias dentro do próprio texto, o que implicava também em dificuldades na compreensão leitora.
Assim a professora planejou um trabalho intenso, com atividades sequenciais de modo a contribuir para a produção de textos coerentes e coesos. Todas as aulas de Português, desde agosto ao final de novembro, integraram o projeto. Segunda a cursista Elisângela, os alunos se dedicaram e envolveram-se muito nas aulas, inclusive os familiares deles eram solicitados a participarem ou a integrarem-se a algumas das atividades propostas, o que resultou até elogios por parte dos pais para com o trabalho da professora.
Para a professora foi um trabalho bastante exigente, mas muito produtivo, com resultados significativos, e do mesmo modo, os objetivos estabelecidos no projeto se concretizaram.
Na sequência dos trabalhos, a professora Rosane apresentou seu projeto desenvolvido junto aos alunos da 7ª série A da Escola Municipal de Ensino Fundamental Construindo o Saber. O tema do projeto envolveu estratégias para uma leitura competente a alunos de 7ª série. A professora Rosane tomou como perspectiva teórica a cognitiva interacionista, tendo como autores fundamentais para sua pesquisa: Isabel Sole, Ângela Kleiman, principalmente, entre outros .
Em sua apresentação, a professora cursista mencionou a importância de ensinar os alunos a usarem estratégias de leitura e compreensão, destacando estratégias que se dão antes, durante e após a leitura. Nesse sentido, o professor deve ser sempre um mediador para o aprendizado da leitura.
Em relação às atividades de leitura direcionadas aos alunos, durante o projeto, a cursista Rosane sempre buscou textos diversificados que pudessem interessá-los, buscando ampliar o nível de leitura deles. Além disso, procurou motivar os estudantes para a leitura de textos nos mais diversos gêneros, ativando os conhecimentos prévios, solicitando levantamento de hipóteses, testando as hipóteses levantadas. Com o propósito de trabalhar a compreensão leitora, a professora possibilitou discussões, debates, resumos, questionamentos elaborados pelos próprios alunos e pela professora, depoimentos, entrevistas, análises de textos, filmes, envolvendo os mais diversos temas.
Segundo a cursista Rosane, o projeto desenvolvido motivou os alunos a lerem sob um olhar diferente para o texto, um olhar mais cauteloso, atendo às informações relevantes, um olhar ao que está implícito no texto, colaborando assim a uma leitura mais crítica e consciente. Além disso, de acordo com a professora, os alunos se sentiam desafiados a cumprirem as mais diversas tarefas proporcionadas, demonstrando grande participação, envolvimento e alegria nas aulas de Português. Para a professora Rosane, houve progresso em relação à compreensão leitora dos alunos a partir do projeto que foi desenvolvido desde agosto a novembro de 2009. Para ela valeu a pena o trabalho que contribuiu não só para os alunos, como também para o crescimento profissional da própria professora.
E assim concluímos as apresentações dos projetos para esta tarde. Ficou combinado que no dia 10 de dezembro de 2009 serão apresentados os projetos das demais professoras cursistas: Elisete, Lúcia, e Jani.
Encerramos o nosso 19º Encontro do Gestar com a mensagem “Feliz por viver” a qual demonstra a importância de comemorarmos cada conquista buscada com esforço e dedicação.


18º Encontro do Gestar em Capitão /RS Formadora: Giovane de Siqueira

18º Encontro do Gestar
Oficina Livre

Ocorreu no dia 26 de novembro de 2009, no horário das 13h às 17h, nas dependências da Câmara de Vereadores de Capitão, o 18º Encontro do Gestar II, contando com a presença das professoras cursistas e da coordenadora Alessandra Ames. Neste encontro trabalhamos uma Oficina Livre, cujos assuntos foram: avaliação do Gestar; orientações finais para apresentação dos projetos e filme “A cura”.
Inicialmente apresentei a mensagem em slides “Morangos” a qual nos proporcionou refletir sobre a importância de realizarmos bem nosso trabalho, com vontade, dedicação e ânimo e assim “saborear” o resultado do nosso empenho e esforço.
Após, fizemos um momento de avaliação do que o Gestar II de Língua Portuguesa nos proporcionou. Conforme as cursistas, o Gestar proporcionou refletir e mudar a nossa sistemática de dar aula, fazendo-nos compreender o nosso papel enquanto professor que ensina e trabalha a língua, observando os vários aspectos que a envolvem: sistemático, funcionamento social, cognitivo e histórico, predominando a ideia de que o sentido se produz situadamente, como dizia Marcuschi (2009). Segundo as professoras cursistas, todo o trabalho do Gestar trouxe um novo sentido para o grupo, enquanto equipe que buscou refletir sobre as práticas pedagógicas em sala de aula, inovando-as e possibilitando aulas prazerosas aos alunos. Foi importante o fato de que as práticas estiveram sempre embasadas teoricamente e isso “garantia” mais tranqüilidade e firmeza no que estava sendo proposto aos alunos. Outro diferencial trazido pelo Gestar foi o trabalho de grupo entrelaçado, isto é, automaticamente as aulas de Língua Portuguesa necessitavam a interdisciplinaridade com as outras disciplinas, dando um novo sentido às aulas como um todo no âmbito escolar. Além de tudo, o Gestar desafiou-nos a escrever a produzir textos também, cuja tarefa muitas vezes não é realizada por parte dos professores. Considerou-se no nosso grupo de professores de Língua Portuguesa de Capitão que, apesar do intenso trabalho, valeu a pena o Gestar e em nenhum momento de nossas vidas profissionais tivemos a oportunidade de ter tido uma formação tão qualificada, necessária e prazerosa ao mesmo tempo como esta a do Gestar.
Após esta avaliação, oportunizei um tempo desta Oficina Livre para as professoras cursistas explanarem suas dúvidas e para eu orientar alguns aspectos em relação à apresentação dos projetos que acontecerá nos dias 3/12/09 e 10/12/09. As dúvidas, entretanto não foram muitas, pois todas as professoras cursistas já tinham seus projetos praticamente prontos, conforme as orientações que fui dando no decorrer do processo dos trabalhos.
Em seguida assistimos ao filme “A cura”, o qual já havia sido solicitado pelas professoras.
Refletimos sobre o quanto o filme trabalha o verdadeiro valor da vida, da amizade e da família. É um ótimo filme para se trabalhar com alunos de 5ª série a 8ª série, especialmente.
Finalizamos o encontro com a mensagem em slides “Desejo que em sua vida...”.
Combinamos quem apresentará os projetos no dia 3/12/09. E assim encerramos mais um Encontro do Gestar em nosso município.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

17º Encontro do Gestar em Capitão /RS Formadora: Giovane de Siqueira

17º Encontro : A arte: formas e função
Linguagem figurada

Aconteceu no dia 19 de novembro de 2009, no horário das 13 horas às 17 horas, nas dependências da Câmara Municipal de vereadores de Capitão, o 17º encontro presencial do Gestar II. Estiveram presentes todas as professoras cursistas, como também a coordenadora Alessandra Ames.
Tendo em vista o tema deste encontro tratar sobre a arte e linguagem figurada, iniciei a oficina apresentando o slides “Double vision” no qual são demonstradas imagens que apresentam dupla visão e possíveis interpretações.
Comentamos que a compreensão sobre uma determinada arte depende muito dos conhecimentos prévios que se tem sobre a mesma, por isso observamos qualquer arte a partir dos nossos gostos e daquilo que sabemos em relação a ela. Nesse sentido é fundamental motivar e proporcionar aos alunos o conhecimento sobre as várias artes, das quais eles não estão habituados a apreciar, como interpretação da realidade.
Na sequência, solicitei às professoras cursistas que, em duplas, fizessem uma revisão do conteúdo proposto no TP2, das unidades 7 e 8. Assim, pedi que: a dupla 1 lesse todos os “resumindos”, destacando os aspectos mais importantes; a dupla 2 analisasse os textos literários dessas unidades, observando os aspectos relacionados à arte da palavra; a dupla 3 lesse os “Avançando na prática”, destacando também o que considerasse mais interessante a serem trabalhados com os alunos. Após a leitura, cada dupla fez a explanação ao grupo. Em geral, as cursistas mencionaram que a proposta do TP2 é bem acessível e como já trabalhamos os outros TPs, neste há poucas novidades, embora as atividades e proposta não deixam de ser interessantes.
Dando continuidade ao nosso encontro, coloquei um áudio de uma poesia de João Cabral de Melo Neto, a qual estava carregada de figuras de linguagem, especialmente a metáfora. Nessa perspectiva, as professoras comentaram da importância de aproveitar também as músicas para trabalhar a questão da linguagem figurada.
Em seguida, analisamos em conjunto a Charge da página 154 do TP2, proposta para esta oficina. Percebemos que para haver uma compreensão maior da charge é necessário ter alguns conhecimentos prévios, como; entender quem é Karl Marx, o que esse autor defendia, para trazê-lo presente ao que se observa na figura da charge, na qual se compreendeu como uma ironia, uma vez que, pela cena, um dos personagens representava um patrão opressor e seu empregado, o explorado.
Em duplas as professoras cursistas elaboraram um texto no gênero bilhete, dirigindo-se ao patrão representado na charge, chamando-lhe a atenção pela sua atitude injusta para com o empregado. Os textos seguem abaixo.

BILHETES

Senhor profundo conhecedor das Leis Trabalhistas
Vemos que o senhor tem amplo conhecimento dos direitos dos trabalhadores e coloca-os perfeitamente em prática. Continue assim e logo, logo não terá mais a quem repassar, transmitir toda a sua sabedoria, porque não haverá mais empregado que resistirá a ela.
Assinado: Exploradas, mas eternamente críticas professoras.
(Professora Elisângela e professora Giovane)
_______________________________________________________________

Senhor:
Na última vez que lhe servi de escada, percebi que tens aumentado o seu peso.
Diante disso, vou controlar sua alimentação e marcar uma consulta com a nutricionista, já que és leitor assíduo de Marx, muitas vezes irá lê-lo e não trocarás de posição.
Assinado: Seu Mordomo.
(Professora Lúcia e professora Elisete)
_______________________________________________________________


Caro senhor explorador!
A julgar pela obra que o senhor retirou de sua “pequena” biblioteca, acredito que o senhor tenha profundos conhecimentos dos direitos trabalhistas segundo as teorias de Marx. Desta forma parabenizo as suas atitudes para com seus súditos, pois percebo que o senhor coloca em pratica a teoria estudada.
Continue praticando-as e logo, logo estarás sozinho e não encontrarás mais nenhum idiota para explorar.
Assinado: Eu, seu último súdito!
(Professora Rosane e professora Jani)

Cada dupla apresentou o seu bilhete e assim concluímos mais um encontro do Gestar II. Nosso próximo encontro será no dia 26 de novembro de 2009.


17º Encontro do Gestar em Capitão /RS Formadora: Giovane de Siqueira

17º Encontro : A arte: formas e função
Linguagem figurada

Aconteceu no dia 19 de novembro de 2009, no horário das 13 horas às 17 horas, nas dependências da Câmara Municipal de vereadores de Capitão, o 17º encontro presencial do Gestar II. Estiveram presentes todas as professoras cursistas, como também a coordenadora Alessandra Ames.
Tendo em vista o tema deste encontro tratar sobre a arte e linguagem figurada, iniciei a oficina apresentando o slides “Double vision” no qual são demonstradas imagens que apresentam dupla visão e possíveis interpretações.
Comentamos que a compreensão sobre uma determinada arte depende muito dos conhecimentos prévios que se tem sobre a mesma, por isso observamos qualquer arte a partir dos nossos gostos e daquilo que sabemos em relação a ela. Nesse sentido é fundamental motivar e proporcionar aos alunos o conhecimento sobre as várias artes, das quais eles não estão habituados a apreciar, como interpretação da realidade.
Na sequência, solicitei às professoras cursistas que, em duplas, fizessem uma revisão do conteúdo proposto no TP2, das unidades 7 e 8. Assim, pedi que: a dupla 1 lesse todos os “resumindos”, destacando os aspectos mais importantes; a dupla 2 analisasse os textos literários dessas unidades, observando os aspectos relacionados à arte da palavra; a dupla 3 lesse os “Avançando na prática”, destacando também o que considerasse mais interessante a serem trabalhados com os alunos. Após a leitura, cada dupla fez a explanação ao grupo. Em geral, as cursistas mencionaram que a proposta do TP2 é bem acessível e como já trabalhamos os outros TPs, neste há poucas novidades, embora as atividades e proposta não deixam de ser interessantes.
Dando continuidade ao nosso encontro, coloquei um áudio de uma poesia de João Cabral de Melo Neto, a qual estava carregada de figuras de linguagem, especialmente a metáfora. Nessa perspectiva, as professoras comentaram da importância de aproveitar também as músicas para trabalhar a questão da linguagem figurada.
Em seguida, analisamos em conjunto a Charge da página 154 do TP2, proposta para esta oficina. Percebemos que para haver uma compreensão maior da charge é necessário ter alguns conhecimentos prévios, como; entender quem é Karl Marx, o que esse autor defendia, para trazê-lo presente ao que se observa na figura da charge, na qual se compreendeu como uma ironia, uma vez que, pela cena, um dos personagens representava um patrão opressor e seu empregado, o explorado.
Em duplas as professoras cursistas elaboraram um texto no gênero bilhete, dirigindo-se ao patrão representado na charge, chamando-lhe a atenção pela sua atitude injusta para com o empregado. Os textos seguem abaixo.

BILHETES

Senhor profundo conhecedor das Leis Trabalhistas
Vemos que o senhor tem amplo conhecimento dos direitos dos trabalhadores e coloca-os perfeitamente em prática. Continue assim e logo, logo não terá mais a quem repassar, transmitir toda a sua sabedoria, porque não haverá mais empregado que resistirá a ela.
Assinado: Exploradas, mas eternamente críticas professoras.
(Professora Elisângela e professora Giovane)
_______________________________________________________________

Senhor:
Na última vez que lhe servi de escada, percebi que tens aumentado o seu peso.
Diante disso, vou controlar sua alimentação e marcar uma consulta com a nutricionista, já que és leitor assíduo de Marx, muitas vezes irá lê-lo e não trocarás de posição.
Assinado: Seu Mordomo.
(Professora Lúcia e professora Elisete)
_______________________________________________________________


Caro senhor explorador!
A julgar pela obra que o senhor retirou de sua “pequena” biblioteca, acredito que o senhor tenha profundos conhecimentos dos direitos trabalhistas segundo as teorias de Marx. Desta forma parabenizo as suas atitudes para com seus súditos, pois percebo que o senhor coloca em pratica a teoria estudada.
Continue praticando-as e logo, logo estarás sozinho e não encontrarás mais nenhum idiota para explorar.
Assinado: Eu, seu último súdito!
(Professora Rosane e professora Jani)


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

16º Encontro do Gestar II - Capitão / RS / formadora: Giovane de Siqueira

16º Encontro: Gramática: seus vários sentidos
A frase e sua organização

Aconteceu no dia 12 de novembro de 2009, nas dependências da Câmara de vereadores de Capitão, o 16º Encontro do Gestar, contando com a presença de todas as professoras cursistas, assim como da coordenadora Alessandra Ames, no horário das 13 às 17 horas.
Inicialmente apresentei a mensagem “Aprendizagem”, em slides. Diante da mensagem comentamos sobre o nosso papel enquanto educadores, o quanto é desafiador quebrar com alguns paradigmas e trabalhar com conteúdos através dos quais de fato ocorra a aprendizagem.
Na sequência passei o vídeo “Num sei que lá”, o qual demonstra a variação lingüística característica de um determinado grupo social. A partir do vídeo, refletimos sobre o tema abordado nas unidades 5 e 6 do TP2. É possível pensar e discutir sobre as construções lingüísticas que o vídeo demonstra, observando que a gramática descritiva leva em consideração o aspecto natural da língua, principalmente o oral. Já a Gramática normativa preocupa-se apenas com a norma, o registro formal. É importante destacar a língua formal, a norma culta, mas para o uso em determinadas situações, cuidando para não desvalorizar as determinadas variações lingüísticas. Além disso, é importante perceber que cada falante tem uma gramática interna e cabe à escola possibilitar que esta gramática interna, trazida pelo aluno, seja ampliada.
Dei continuidade ao encontro, apresentando uma síntese dos aspectos teóricos abordados nas unidades 5 e 6, em slides. Enquanto líamos, discutíamos os aspectos levantados, associando-os com as nossas práticas em sala de aula. Trouxemos presente o modo como trabalhávamos antes do Gestar e como atuamos agora em relação à gramática, aos gêneros textuais, enfim, percebemos que houve uma grande mudança na sistemática de trabalho com a língua. Agora nos sentimos mais confiantes e percebemos o quanto é importante associar prática pedagógica a um embasamento teórico. Os estudos feitos nos TPs, principalmente nos TPs 1 e 2 contribuíram e deixaram claro como trabalhar a gramática a partir dos textos. Também possibilitaram refletir e entender melhor o papel da escola no ensino da língua materna.
Após, solicitei às cursistas que elaborassem uma proposta de aula que contemplasse a leitura, interpretação de texto e uma atividade de análise lingüística, conforme os estudos feitos no TP2, a partir de um dos textos das unidades estudadas ou dos textos propostos nas páginas 150, 151 e 152 do TP2. Desse trabalho resultou a proposta descrita a seguir, desenvolvida a partir do conto “Parceria” do TP2, p.46 e 47, cujo texto foi escolhido pelas cursistas.


Plano de aula com base no texto “Parceria”

1º momento: Motivação
- O que você entende por parceria?
- Você já fez uma parceria com alguém?
- Há alguma vantagem e desvantagem em fazer parceria?
- E na escola, especialmente na sala de aula, que parceria você costuma fazer?
- Na sala de aula, pode haver parceria combinada por escrito?
- Quem costuma escrever bilhete? Para quem? Quem pode ver? E o que se costuma escrever nos bilhetes?
- Ao escrever um bilhete, existe um cuidado com a forma de como é escrito? Por quê?
- Quem envia e quem recebe consegue entender o recado?
- Que estratégias são usadas para que o professor não perceba essa comunicação?
- É possível esconder os bilhetes de todos os professores?

2º momento: Leitura
Em seguida será entregue o texto “Parceria”, comentando que tem tudo a ver com a conversação anterior e com certeza os alunos irão gostar.
Realizar uma leitura silenciosa.
Realizar uma leitura em dois grupos, no qual um grupo lerá os bilhetes da personagem Clara e outro da personagem Célia.
Após, serão sorteados dois alunos para fazer a leitura dramatizada.

3º momento: conversação e análise do texto
Conversar em duplas se realmente o texto foi interessante e por quê.
Reescrever os bilhetes, modificando os nomes das personagens e o assunto.
Analisar a relação de sentido entre o texto e o título.

- Conversação sobre os nomes que se encontram nos bilhetes: são fictícios ou não? Por quê?
- Observar a estrutura desse tipo de bilhete. Refletir se é possível escrever assim em todos os tipos de bilhetes.

4º momento: produção textual
A partir da conversação vem a proposta da produção textual que será realizada da seguinte maneira:
- Primeiramente o professor combina com a turma que os alunos escreverão bilhetes entre eles, em uma determinada aula de um professor com quem já foi conversado anteriormente sobre a atividade.
- Os alunos já terão escolhido previamente o colega com quem compartilhará o bilhete.
- Os alunos deverão escrever o bilhete discretamente, de modo que o professor, com quem a professora de Português conversou anteriormente, não os descubra.
- O professor não saberá em que aula dada os alunos escreverão os bilhetes.
- Na aula de Português, os alunos que compartilharam os bilhetes formarão duplas, lerão o texto dos seus bilhetes, corrigindo alguns aspectos fundamentais como ortografia, concordância e pontuação.
- Passar o texto a limpo, colando-o ao lado da fotografia da própria dupla. (A fotografia das duplas será tirada pela professora)
- Apresentação dos textos.
- Exposição dos mesmos.
Observação: Será combinado com os alunos que a atividade de escrita dos bilhetes faz parte de um planejamento de trabalhado, com objetivos para a aula de Português, combinado com ambos os professores, previamente. Portanto, não poderão entender que foi liberado a escrita de bilhetes em todas as aulas e em todos os momentos. Além do mais, os alunos deverão cuidar o que escrevem porque haverá uma exposição de trabalho e não serão demonstrados aqueles cujos conteúdos não estiverem condizentes com a situação sócio-comunicativa.


Depois do planejamento da aula, encerramos nosso encontro, assistindo à mensagem “Cinza e colorido”, cuja mensagem nos proporciona refletir que precisamos tornar nossos dias, nosso trabalhado mais colorido a cada dia.



terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ensaio sobre o filme "Línguas -Vidas em Português" Formadora Giovane -Proposta de trabalho da 2ª Etapa do Gestar Em Porto Alegre

O ensaio que segue abaixo foi uma proposta de trabalho encaminhada pela professora Adelaide na segunda etapa do Gestar em Porto Alegre / RS, entre os dias 28 de setembro e 3 de outubro de 2009, sobre o filme "Línguas - Vidas em Português".
Ensaio sobre o filme “Línguas – Vidas em Português”

O presente ensaio visa refletir sobre a discussão possível em torno da linguagem, especialmente sobre os usos linguísticos ”como uma atividade sociointerativa desenvolvida em contextos comunicativos historicamente situados” (Marcuschi, 2008, P.61), que o filme “Línguas – Vidas em Português” de Victor Lopes proporciona.
Percebe-se nitidamente nos dizeres dos colaboradores do filme, o entendimento de que a língua não é matéria estática e nem homogênea, pelo contrário, ela é dinâmica e heterogênea, estando sempre sujeita a variações e mudanças. Assim, ela é heterogênea, varia e se ajusta de acordo com a região, com a situação sócio-comunicativa, com o grupo social, enfim. Seu real uso está no propósito de produzir sentidos.
Isso confirma-se no dizer de João Ubaldo Ribeiro, um dos colaboradores do filme em questão: “Se as línguas não mudassem, estaríamos todos falando latim.” Esta é prova real que a mudança e a variação são inerentes às línguas de todo o mundo conforme dizia Silva e Moura (2000).
As diversas variantes do português, demonstradas no filme, cujas pessoas falavam a mesma língua em diversos países, mas com características, dialetos peculiares do seu grupo social, da sua região também provam que é impossível a língua ser estática. Além do mais, há que se destacar que são justamente estas variedades linguísticas demonstradas no filme que identificam cada grupo social.
Nesse sentido, Antunes (2009), argumenta que a língua é um grande ponto de encontro de cada indivíduo com os seus antepassados, estando ela embutida na trajetória da memória coletiva do povo. Eis porque as pessoas se apegam a sua língua, ao jeito de falar do grupo no qual pertencem. É interessante notar ainda o que a mesma autora menciona ”... pela língua afirmamos: temos território; não somos sem pátria. Pela língua, enfim, recobramos uma identidade.” (Antunes, 2009, p.23).
Reportando-se para o filme, percebe-se na fala dos depoentes o quanto eles se orgulham de suas origens, o quanto têm clareza de sua identidade e quanta alegria demonstram em pertencerem a uma pátria cuja língua falada é a Língua Portuguesa. Vale ressaltar aqui a fala de um dos colaboradores “A língua traz saudade da terra, da família, das origens...”.
Na medida em que um indivíduo se identifica com sua língua e suas origens, ele passa a compreender melhor as outras pessoas que não pertencem ao seu grupo, respeitando-as e aprendendo com as mesmas, pois entende que a língua não é apenas um mero instrumento de comunicação, mas uma atividade de interação, carregada de sentimentos, valores e marcas culturais próprios de uma determinada comunidade social. A fala de um dos jovens depoentes no filme trouxe presente isso ao justificar que os jovens têm uma característica comum em todos os lugares. Esse jovem demonstrou reconhecimento da própria identidade, respeito ao diferente, buscando, ao mesmo tempo, algo em comum entre jovens de outras origens. Percebe-se, pois, no depoimento deste mesmo jovem que as pessoas se fazem entender quando a língua toca na alma, envolve, emociona, interage.
Um outro aspecto que o filme proporciona refletir é em relação ao preconceito linguístico. Sabe-se que durante muitos séculos tem-se valorizado e considerado como única modalidade “certa” a “norma culta” tida como a norma de prestígio no que tange às variantes linguísticas. Não era levado em conta a dinamicidade, variações e mudanças da língua. Embora já existam muitos estudos, e até mesmo reflexões nas escolas sobre o ensino da Língua Portuguesa numa perspectiva Sociolinguística, ainda percebe-se a existência de uma visão equivocada da língua de que há línguas estruturalmente melhores do que outras, mais ricas e complexas. Assim, verifica-se que a língua continua em nosso meio como um instrumento de poder, dominação e opressão. As camadas mais pobres, por sua vez, estão faladas a sofrer mais as consequências dessa dominação, uma vez que, assim como a distribuição de renda é injusta, a distribuição do saber também está muito aquém do que deveria ser para as classes mais pobres. Nesta mesma perspectiva o filme “Línguas-Vidas em Português” traz presente o depoimento de pessoas carentes, sobreviventes da miséria, como o exemplo o jovem Dinho (um dos depoentes no filme) que apesar de sonhar com melhores condições de vida, tinha consciência de sua triste realidade. Em seu depoimento Dinho disse que seria pai, revelando tristeza porque não teria condições de oferecer boas perspectivas de vida para o filho. “Plantei uma árvore sem água para regar.” (Fala de Dinho)
Dentre tantas outras reflexões suscitadas a partir do filme, é necessário destacar ainda a questão que diz respeito ao papel da escola diante disso tudo.
Vale aqui mencionar o que diz Scherre (2005) “Enfatizo: não sou contra a gramática normativa (nenhum linguista tem esta postura): sou contra, sim, sua veneração cega, que gera necessariamente seu uso equivocado, humilhando o ser humano por meio do que ele tem de mais característico: o dom de dominar a própria língua.” (Scherre, 2005, p.71).
Observa-se, contudo que a escola tem um grande desafio em relação ao ensino da língua. Ela precisa valorizar e respeitar a variedade linguística que o aluno traz consigo da sua comunidade e a partir dela ampliar o conhecimento linguístico desse estudante, sem incutir nele preconceitos contra outras variedades, nem contra a sua própria, conforme afirma Silva (2002).
De acordo com Silva (2002), o ensino da língua materna deve priorizar a aprendizagem de fatos linguísticos que facilitem a comunicação com pessoas de outros grupos sociais e que estimulem o uso de outras variedades, além de promover a aquisição de traços que permitam a integração de falantes de origem diversa.
Acredita-se que se a escola trabalhar a língua na perspectiva em que foi abordada neste ensaio, estará contribuindo para a formação de um cidadão consciente, crítico, sujeito de sua própria história e consequentemente de uma sociedade mais justa.



Bibliografia Consultada:

ANTUNES, Irandé. Língua, texto e ensino: outra escola possível. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.

MARCUSCHI, Luís Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

SCHERRE, Maria M.P. Doa-se lindos filhotes de poodle: Variações linguísticas, mídias e preconceito. São Paulo: Parábola Editorial. 2005.


SILVA, Myriam Barbosa in Bagno, Marcos. Linguística das Normas. São Paulo: Edições Loyola. 2002.