quarta-feira, 11 de novembro de 2009

15º Encontro do Gestar II em Capitão / RS Formadora: Giovanede Siqueira


15º Encontro: O texto como centro das experiências no ensino da língua e a Intertextualidade (TP1)

No dia 5 de novembro de 2009, realizou-se, nas dependências da Câmara de Vereadores de Capitão, o 15º Encontro do Gestar II tendo a presença de todas as professoras cursistas, como também da coordenadora Alessandra Ames.
Inicialmente recepcionei as professoras cursistas com a mensagem “Lembrei-me de você”. Em seguida apresentei mais algumas sugestões de atividades envolvendo variações linguísticas, como complemento ao trabalho desenvolvido no encontro anterior, as quais podem ser desenvolvidas em sala de aula, o que vem contribuir para que o aluno tenha a oportunidade de refletir sobre as diferentes variantes lingüísticas e possa utilizá-las conforme as diferentes situações sócio-comunicativas. Abaixo seguem as sugestões:
Reflexão sobre o fenômeno da variação lingüística na família, na escola, no bairro ou cidade, no estado e no país, comparando: a diferença entre a fala dos pais, avós x fala dos filhos; a fala da professora x fala dos alunos; a fala de pessoas que vivem na comunidade x a fala de pessoas de outras comunidades do Rio Grande do Sul o do Brasil. 2. Leitura e discussão de textos que contemplem diferenças lingüísticas e culturais. 3 Dramatização de textos que contenham personagens que caracterizam a fala e a cultura de diferentes regiões do país. 3. Audição de músicas observando diferenças fonético-fonológicas e demais variações. 4. Análise de textos escritos (letras de músicas entre outros). 5. Gravação, audição e análise de entrevistas ou programas de televisão, observando variações na linguagem. 6. Reescrita de textos ou fragmentos de textos (transposição da linguagem popular para a linguagem formal). 7. Realização de entrevistas, pelos alunos, com diferentes pessoas da comunidade e identificação das diferentes variantes utilizadas. 8. Organização de exercícios orais e escritos a partir da variante utilizada pelo aluno. 9. Produção de textos em que as personagens retratem diferentes formas de uso da língua, típicas de determinadas regiões, podendo ser dramatizados.
Na sequência a professora cursista Elisângela apresentou-nos um slides sobre os diversos desvios linguísticos que se encontram nas diversas placas de anúncios comerciais. Comentamos que esta é uma proposta interessante a ser mostrada e trabalhada com os alunos. Refletimos ainda que para o contexto sócio-comunicativo onde se encontram descritas as tais placas, estas são bem aceitas pelo grupo social daquela mesma comunidade.
Nessa perspectiva, prosseguimos com o estudo e análise da teoria e dos textos do TP1 das unidades 3 e 4. Solicitei dois grupos e cada um estudou uma unidade, das quais pedi que as cursistas fizessem uma síntese dos aspectos, conceitos mais importantes apresentados pelo TP1 em relação ao texto e à intertextualidade. As sínteses seguem, pois, descritas abaixo.

Grupo 1: síntese – Unidade 3 - TP1
O TEXTO COMO CENTRO DAS EXPERIÊNCIAS NO ENSINO DA LÍNGUA
- A linguagem é entendida como interação.
- A linguagem é na essência, uma ação entre sujeitos.
-Esses sujeitos participantes de uma interação, e que agem uns sobre os outros, têm um história, atuam num contexto social e ideológico.
-Nesse contexto, cada um ocupa um lugar e é desse lugar que produz e interpreta enunciados.
-Um ato de linguagem nunca se repete, e cada interação tem uma unidade de informação, ou de significação, para os interlocutores.
-Cada locutor vai construindo a sua língua, a partir das estruturas disponíveis no sistema, mas escolhendo as que lhe servem em determinada situação de interação.
-Texto é toda e qualquer unidade de informação no contexto da enunciação.
-Texto oral, escrito, literário e não literário, não - verbal àcriado por outras linguagens que prescindem da palavra.
-A interpretação do texto deve ir além de suas marcas mais gerais, ir mais fundo na busca de seus significados menos evidentes.
-Cada texto é criado a partir das intenções e das condições de produção de seu escritor (ou autor).
-O locutor sempre tenta estabelecer com seu interlocutor um “pacto de leitura”.


Grupo 2: Unidade 4 – TP1
A INTERTEXTUALIDADE
-Intertextualidade: ligações entre -textos.
-Ponto de vista: opinião do autor do texto sobre determinado tema.
-“Quando percebemos com clareza o processo da intertextualidade, o papel do ponto de vista e as influências de ambas em nossa vida diária e no contato com as obras de arte, a nossa leitura de mundo torna-se mais crítica e mais sensível, e criamos melhores condições, também, de explorar o assunto desde cedo (com as adaptações necessárias) com nossos alunos.” P.133)
- “...muitos fatos do mundo inteiro repercutem na nossa economia, nos nossos valores, na nossa cultura.”(P.135). Por isso, qualquer tipo de texto ou experiência: a cultura é essencialmente intertextual. As versões, adaptações e traduções de qualquer material são formas de intertextualidade.
-Outra forma de intertextualidade é a adaptação de textos com diversos temas a partir do conhecimento, da informação que o autor tem. Um exemplo disso é a paráfrase da história do patinho feio. Conserva a ideia central (fio condutor) do original, mas pode-se modificar o final
-“A paródia é um tipo de processo intertextual em que o texto original perde sua ideia básica, seu fio condutor. A narrativa é invertida, ou subvertida. Frequentemente, a paródia é crítica, questionadora e divertida”.

Em vista da falta de tempo, não foi possível elaborar um plano de aula a partir da fábula “A língua” cuja proposta se encontra descrita na p. 173 do TP1. No próximo encontro, de algum modo procurarei contemplar tal proposta.
E assim concluímos mais um encontro do Gestar II em nosso município.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

14º Encontro do Gestar em Capitão/ RS Formadora: Giovane

14º Encontro: Variantes lingüísticas: dialetos e registros

Ocorreu no dia 29 de outubro de 2009, nas dependências da Câmara Municipal de vereadores de Capitão, no horário das 13 horas às 17 horas, o 14º Encontro do Gestar II, contando com a presença de todas as professoras cursistas, assim como da coordenadora Alessandra Ames.
Inicialmente apresentei uma mensagem em slides “Ser jovem”, para recepcionar as professoras, a qual trazia presente alguns valores e atividades das quais realizávamos e ainda consideramos importante preservá-los, ou até mesmo resgatá-los, ao passo que muitos dos adolescentes e jovens de hoje não dão a devida importância. Nesse sentido, a mensagem veio ao encontro do tema tratado neste dia, uma vez que há a variante lingüística que diz respeito à faixa etária.
Antes de continuarmos com esse tema, concluímos a proposta do encontro anterior em relação ao planejamento de uma aula, levando em consideração o processo de produção textual, a partir do texto “Espírito Carnavalesco”. Segue abaixo a proposta desenvolvida para ser trabalhada com alunos da 7ª série ou 8º ano.
Considerou-se necessário fazer uma motivação para chegar ao texto, a iniciar por um levantamento de conhecimentos prévios sobre o carnaval: O que se entende por “espírito carnavalesco”. Após a conversação, realizar um trabalho referente ao verdadeiro sentido do carnaval; relacionar à cultura de um grupo social; pesquisar a origem do carnaval, cantos carnavalescos; comparar o carnaval realizado em culturas diferentes como Brasil x Alemanha e outros países, assim como o carnaval acontece nos diferentes estados brasileiros; pesquisar o trabalho que envolve a indústria carnavalesca; refletir como o carnaval, hoje, conduz a uma libertinagem, principalmente sexual; investigar como se dá a escolha dos temas dos desfiles de carnavais.
Após o trabalho de aprofundamento sobre o tema carnaval, propõe-se entregar uma parte do texto “Espírito carnavalesco” de Moacir Scliar para os alunos, conforme proposta do caderno do formador, p.37. O mesmo texto deverá ser lido pelos alunos e após, em pequenos grupos deverão continuar a história, apresentando um desfecho para o mesmo. Todos do grupo deverão dar suas contribuições, enquanto um do grupo anota os procedimentos e interferências feitas para tal produção textual e outro registra o texto em si. Na seqüência, os alunos deverão socializar os trabalhos ao grande grupo.
Para a revisão textual, os alunos trocarão os textos entre os grupos e cada grupo analisará os mesmos observando: coerência e progressão temática, informações novas em relação ao assunto, parágrafo bem estruturado, emprego adequado da pontuação, cuidado com palavras, ideias ou expressões repetitivas.
Após, o professor solicita que os alunos passem o texto a limpo e o próprio professor escolhe alguns para serem dramatizados. Como conclusão do trabalho, os textos serão expostos no mural da escola.
Depois dessa proposta, conversamos como a cultura e a língua são indissociáveis. Comentamos um pouco sobre o que diz Irandé Antunes (2009) sobre a língua, a qual se torna um grande ponto de encontro de cada um de nós, com os nossos antepassados, permanecendo viva na trajetória da nossa memória coletiva. “daí o apego que sentimos à nossa língua, ao jeito de falar de nosso grupo.” ( Irandé Antunes, 2009).
Conversamos ainda sobre o papel da escola em relação ao ensino da língua e nesse sentido trouxemos presente o que Silva apud Bagno (2002) afirma “o ensino da língua materna em todas as escolas, hoje, deve ser: tornar o aluno gradativamente, usuário competente das múltiplas variedades da língua portuguesa, conforme as suas tendências e necessidades.” Refletimos e percebemos, pois, o quanto trabalho temos no sentido de respeitar o que o aluno traz de casa e a partir daí proporcionar que ele conheça as mais diversas formas e variações da língua, fazendo-o notar que quanto mais opções o sujeito tiver de uso da língua, mais ele vai poder atuar na sociedade e se desenvolver como cidadão.
Após a retomada do conteúdo teórico, solicitei às cursistas que escutassem e acompanhassem as letras das música: Chico Mineiro, cantada por Tonico e Tinoco; Marvada pinga de Enesita Barroso, Querência Amada, cantada por Teixerinha, Asa Branca de Luís Gonzaga e samba do Ernesto, buscando identificar a temática abordada nas músicas, analisar a situação em que a língua varia em cada música e refletir sobre possíveis intenções cuja música se sucedeu, assim como as características que as músicas refletem de um grupo social.
Assim que escutamos as músicas, acompanhadas das respectivas letras, analisamos que a variação lingüística ocorre em relação ao aspecto regional, principalmente e geográfico. Cada uma delas reflete características típicas do seu grupo social, ao mesmo tempo em que se percebe uma crítica social, o que parece que existe uma defesa de pensamentos e valores da cultura de cada povo.
Dando continuidade ao trabalho, assistimos ao vídeo “Rei dos elogios de Quixeramobim”, cuja proposta nos foi passada pela professora Adelaide, na segunda etapa de formação do Gestar II em Porto Alegre. O vídeo deixa claro que mais importante que a modalidade da língua é o contexto em que ela é usada. Junto ao vídeo, solicitei que as professoras cursistas analisassem os textos propostos pelo TP1 nas unidades 1e 2, buscando verificar em situações a língua varia, tendo por base a parte teórica estudada no TP1, além disso, levei os textos “Pechada” de Luis Fernando Veríssimo e “Cada um conta o causo como qué” conto do folclore nordestino cujo autor é desconhecido.
E assim desenvolvemos mais um encontro. As cursistas disseram ter gostado muito, pois além de terem se divertido com o que foi trabalhado, mencionaram que ficou bem mais claro agora sobre o papel da escola no que tange ao ensino da língua materna em sala de aula.