segunda-feira, 27 de julho de 2009

5º Encontro do Gestar II em Capitão - Oficina Livre - Formadora Giovane

5º Encontro - Oficina Livre
Realizou-se no dia 16 de julho de 2009, nas dependências da Câmara Municipal de Vereadores de Capitão, das 13 horas às 17 horas, o 5º Encontro do Gestar II, contando com a presença de todas as professoras cursistas, bem como da coordenadora do Programa, Alessandra Ames. Neste Encontro trabalhou-se uma Oficina Livre.
Inicialmente, a coordenadora começou o encontro com uma dinâmica. Ela entregou aos participantes uma mensagem impressa, intitulada como "O lápis" e junto à mensagem, presenteou-nos com um lápis. A coordenadora leu a mensagem e passou um slides que retratou também da importância do lápis em nossas mãos, sendo esse objeto comparado ao que se poderia fazer de melhor na nossa prática pedagógica. Além disso, eu também deixei o seguinte pensamento, impresso, juntamente com chocolate, para os participantes. "Depois de algum tempo você aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida." (Shakespeare)
Em seguida, convidei as professoras cursistas para sentarmos em círculo no centro da sala e lermos o texto "Composição: O salário mínimo" de Jô Soares, cuja proposta fazia parte do trabalho da Oficina anterior, mas por motivo da falta de tempo, ficou para trabalharmos em uma parte do tempo do encontro deste dia. Após a leitura, propus que as professoras se dividissem em dois grupos e para fechar o nº certo de participantes em cada grupo, convidei a coordenadora, Alessandra Ames para participar da atividade. Dei então a seguinte tarefa: O grupo 1 teve que enumerar argumentos, demonstrando que o texto se tratava de um exercício escolar. Já o grupo 2 teve que enumerar argumentos , demonstrando que o texto não se tratava de um exercício escolar. Esta atividade foi realizada em forma de debate. Determinei, primeiramente, três minutos para cada grupo falar, um de cada vez, sendo que um grupo não poderia interferir na fala do outro. No segundo instante propus dois minutos para réplica e para terceiro e último momento determinei três minutos para a fala de cada grupo, porém desta vez, cada participante poderia dar o seu real parecer em relação ao texto, justificando se de fato era ou não um exercício de redação escolar. Esta última parte do trabalho fiz propositalmente para perceber se as participantes refletissem o texto com base no que estudamos sobre os gêneros textuais, buscando analisar a situação comunicativa, a função do texto, o autor , os interlocutores, dentre outros aspectos. Para minha surpresa, os dois grupos continuaram defendendo a mesma ideia que pedi para defenderem no início da proposta. Ninguém mudou o seu ponto de vista, o que pensei que fosse ocorrer na terceira parte da tarefa. Questionei então as participantes se tinham entendido o que propus no início e se entenderam que no final cada uma tinha liberdade para expor o que de fato pensavam sobre o texto, esquecendo agora o que foram "obrigadas" a defenderem. Todas disseram que entenderam o recado. Então questionei sobre o que deve ser levado em conta para identificar um gênero textual e o que seria necessário observar para perceber se o texto se tratasse de uma composição escolar ou não. Analisamos conjuntamente e o grupo percebeu então que o autor se valeu da intertextualidade de composição escolar para fazer o seu texto humorístico. Observou-se a situação comunicativa, o autor e como esse autor costuma usar a linguagem e trabalhar os seus textos.
Foi interessante que as próprias participantes se deram conta de que elas permaneceram "presas" à ordem que eu, formadora, tinha determinado no princípio da tarefa, e não foram capazes de se desprenderem daquela ideia, refazendo os conceitos. Comentou-se em relação a isso que o nosso papel na escola é fomentar no aluno a capacidade de refletir sobre as informações que lhe são impostas ou colocadas diariamente por diversos meios de comunicação e de como é fácil ser manipulado.
Ainda, a partir desse texto, analisamos outros que apresentam semelhanças, tais como a crônica, o conto e comentamos em que sentido se assemelham e se diferem. Também analisamos as sequências tipológicas que se apresentam no texto analisado e concluimos que a sequência predominante é dissertativa - argumentativa, pois o autor tenta demonstrar o quanto o salário mínimo é insuficiente, baixo.
Após essa tarefa, convidei as professoras e a coordenadora para assistirmos ao filme "Os escritores da liberdade" o qual demonstra o quanto as palavras podem emancipar o ser humano e também como a leitura e a escrita refletem as nossas vivências, experiências de mundo. A partir dos conhecimentos prévios é possível e é preciso avançar, buscando aprofundar o conhecimento. Além do mais, o filme tem relação com o que vamos estudar no TP4 Leitura e processo da escrita.
Nenhuma professora tinha assistido ao filme antes de eu apresentá-lo, e todas avaliaram-no como muito bom, inclusive para ser levado à sala de aula.
Fizemos algumas reflexões em conjunto:
"A professora resolveu partir da realidade dos alunos para realizar a sua proposta, e foi só a partir de quando passou a ouvir seus alunos e a conhecê-los que conseguiu fazer o seu trabalho." (profª cursista Elisângela Cadore)
" A professora precisou ter coragem, estabeleceu limites também para poder trabalhar, e ainda cobrou os trabalhos dos alunos, isso demonstra que é preciso também exigir para que haja crescimento do pessoal." (profª cursista Jani Maders)
" No filme a professora teve muito apoio do seu próprio pai e como é importante nós termos apoio de alguém para assim nos sentirmos mais fortalecidas e com ânimo para dar continuidade ao nosso trabalho." (profª cursista Rosane Castoldi Daltoé)
"A família é a base da sociedade e nós não podemos esquecer disso, pois os problemas dos alunos da professora, no filme, partia da má estruturação da família, além do meio onde eles viviam. Na nossa realidade, não é muito diferente porque muitos dos problemas que temos nas escolas são reflexos da sociedade que está aí." (profª cursista Lúcia Landmeier)
" A professora motivou os alunos a ampliarem seus conhecimentos, sua visão de mundo e a se colocarem também no lugar de outras pessoas que apresentavam problemas. Além disso ela possibilitou que conhecessem lugares e pessoas de mundos diferentes, mas que também lutavam pelos seus." (prof{ cursista Elisete Ziani)
" No filme , os alunos não podiam retirar certos livros da biblioteca e à professora não estavam disponíveis recursos para que ela pudesse trabalhar com os alunos. Nesse sentido a nossa realidade é muito diferente, pois a Secretaria Municipal de Educação nos fornece muitos recursos e temos uma biblioteca muito boa à nossa disposição, além do mais, se alguém quiser fazer um trabalho que exige mais recurso, é so pedir e temos às mãos. Precisamos, pois, que aproveitar tudo isso, em prol do nosso trabalho e principalmente dos alunos. ( Profª cursista Elisângela Cadore).
Após a reflexão, propus que as professoras cursistas pensassem em atividades possíveis a serem desenvolvidas com os alunos a partir do filme assistido.
Atividade sobre o filme “Os escritores da liberdade”

Objetivo: escrever algo que incomoda e que gostaria que mudasse em sua vida.
Texto “Eu queria ter e ser”
Leitura individual e coletiva do texto
Comentar a biografia do autor do texto e a realidade da favela.
Produção textual abordando o tema trabalhado no texto “Eu queria ter e ser”
Filme: “Os escritores liberdade”. Comentários/ Análise oral do filme, relacionando-o com o texto "Eu queria ter e ser" e as situações da sala de aula – filme/ nossa vivência.
Levantar causa/motivo da revolta dos alunos no filme.
Perspectivas desses alunos no filme e quais as suas perspectivas (comentário oral).
Na sequência, finalizamos o encontro com a mensagem, em slides, "Cópia de Amigos", já que no próximo dia 20 de julho é Dia do Amigo. O final dessa mensagem convidava cada um a abraçar o seu amigo. Então todas nós nos abraçamos pelo dia do amigo e por mais um bom momento pelo qual passamos juntas.

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